10 de dezembro de 2017

A regulação é realmente um gargalo
para as insurtechs?

Um aspecto muito importante para uma insurtech são as questões regulatórias. E, sobre isso,
foi ótimo conhecermos o trabalho da CNSeg e ouvirmos o posicionamento da SUSEP.

Fabricio Vargas Matos

Fabricio Vargas Matos

Co-founder e CTO da Mutual.Life

Novembro, definitivamente, foi um mês intenso. Além das atividades normais ligadas ao desenvolvimento de aplicativo, site, comunicação e outros, tivemos uma agenda intensa de planejamento e reuniões com fundos de investimento. E, no meio disso tudo, ainda fomos palestrantes em dois eventos importantes em São Paulo: Insurance Innovation e Blockchain Summit 2017, nos quais pudemos não somente compartilhar o que estamos fazendo, mas também atualizar nossa visão sobre os avanços mais importantes em nosso mercado. Por tudo que vimos, podemos dizer que o ano de 2017 marcou o início da cena insurtech no Brasil.

Um aspecto muito importante para uma insurtech são as questões regulatórias. E, sobre isso, foi ótimo conhecermos o trabalho da Comissão de Inteligência de Mercado da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização - CNSeg, que tem como um de seus objetivos analisar as dificuldades das seguradoras e das insurtechs para propor à CNSeg e à Superintendência de Seguros Privados - SUSEP (órgão regulador do setor de seguros no Brasil) uma lista de sugestões visando facilitar a melhoria dos produtos de seguro. Para Patricia Franceschini, líder do projeto de insurtechs na CNSeg, os consumidores estão mudando, aumentando suas expectativas, buscando mais personalização, facilidade e transparência.

Das quase 30 insurtechs entrevistadas, à exceção da Mutual.Life, todas tem uma seguradora tradicional por detrás e estão trabalhando diversas inovações incrementais importantes, sendo 70% delas focadas nos canais comerciais e na experiência do usuário. Suas principais dores estão ligadas a burocracia dos processos e a necessidade de integração com sistemas legados. Por outro lado, praticamente, nada tem sido feito para melhorar os produtos de seguro em si. E é exatamente aí que estamos focados: em unir o mutualismo à gestão de risco automatizada para criarmos uma nova espécie de proteção.

Também foi muito importante ouvir o posicionamento da SUSEP, que até então era uma grande incógnita para nós. O órgão regulador deixou claro que as políticas de seguro definidas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados - CNSP, dentre outras coisas, visam fomentar a inovação, aumentando a competição e a cobertura securitária no Brasil, diminuindo os custos de compliance, sem, contudo, perder de vista os aspectos prudenciais que o setor exige.

Ficamos muito animados em saber que faz parte da agenda de curto prazo da instituição estudar o “seguro peer-to-peer”, e que o objetivo é atuar com regulação apenas onde for realmente necessário, se for necessário. Outra agenda importante do órgão regulador é o estudo de um possível “sandbox regulatório”, seguindo o exemplo de Singapura, visando permitir que as insurtechs se desenvolvam debaixo da supervisão do órgão, com espaço para experimentar e validar suas hipóteses com segurança jurídica.

Dentre as preocupações do órgão está o fato de que houve um aumento de concentração de 2016 para 2017 motivado por fusões e aquisições no setor, e 70% das apólices de seguro estão concentradas nas 10 maiores seguradoras, o que é um problema, pois aumenta o risco sistêmico. Para nós, isso tudo são boas notícias, pois nos dão um panorama bastante promissor e aumentam ainda mais a confiança de que estamos no caminho certo.

Além disso, participamos do Blockchain Summit 2017, dividindo o palco com instituições de peso como Banco Itaú, Bradesco, Banco Central do Brasil, B3 (BM&F Bovespa + CETIP), SulAmérica e outros, o que sem dúvidas, é uma honra para uma startup pequena como a nossa. Foi muito interessante ter uma visão atualizada de como está o desenvolvimento no outro extremo do espectro blockchain, que são as soluções baseadas em blockchains permissionadas (ou de consórcio).

Em resumo, nossa impressão é que, de um lado, a fase de “provas de conceito” começa a dar lugar às primeiras aplicações reais para o mercado financeiro em 2018. As seguradoras ainda vão levar mais tempo, excetuando as aplicações básicas de registro de documentos. No geral, as aplicações tidas como viáveis no curto prazo ainda são muito incipientes, e há muito trabalho pela frente até termos plataformas blockchain suficientemente robustas para atender os requisitos de escalabilidade e os gargalos ligados a replicação de dados entre os nós, especialmente na escala de instituições de grande porte como essas. Mas o setor está avançando rápido, e espera-se novidades para o próximo ano. Nós, porém, estamos atuando em um contexto diferente, o das blockchains abertas (permissionless) como a rede Ethereum e, para nós, os desafios são um pouco diferentes.

Enfim, 2017 foi um ano incrível. Começamos no escuro, sem sabermos direito como o setor iria reagir, mas avançamos confiantes na nossa visão de criação de valor, e chegamos no fim do ano com a certeza de que o que estamos construindo faz muito sentido para o Brasil e para o mundo. Por isso, em 2018, focaremos no desenvolvimento da nossa plataforma e nas questões operacionais, para podermos, em seguida, com toda prudência e responsabilidade, sairmos dos nossos pilotos fechados e iniciarmos uma comercialização aberta dos nossos serviços e, assim, avançarmos para o nosso objetivo de reinventar os seguros por meio da união da tecnologia blockchain e inteligência artificial.

Por fim, e não menos importante, esse é o nosso último artigo de 2017. Acreditamos que 2018 será um ano incrível, um ano de crescimento e amadurecimento. Deixamos aqui o nosso muito obrigado a você que acompanhou a nossa trajetória até aqui e que continuará conosco no próximo ano. Desejamos à todos um feliz natal e um novo ano cheio de prosperidade, saúde, paz e alegria.


Fabricio Vargas Matos

Fabricio Vargas Matos

Co-founder e CTO da Mutual.Life

Fabricio Matos é mestre em ciências da computação (BSc, MSc) e especialista em Blockchain (Bitcoin e Ethereum), 15 anos coordenando projetos de software para o mercado corporativo e apps mobile, atuou como CTO em 3 startups.


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