10 de dezembro de 2016

Chegamos!

Bem vindo ao Blog da Mutual.Life.

Fabricio Vargas Matos

Fabricio Vargas Matos

Co-founder e CTO da Mutual.Life

Bem-vindo ao Blog da Mutual.Life. Somos uma startup InsurTech que acredita que é possível repensar o modo como os seguros funcionam, eliminando as assimetrias entre seguro-segurado, e proporcionando uma experiência mais justa, transparente e simples. Queremos não apenas proporcionar uma melhor experiência de usuário, mas levar estabilidade e segurança para pessoas que muitas vezes não tem acesso aos produtos tradicionais de seguro.

Criamos esse blog para contar o que estamos fazendo, expor nossas ideias, nossos experimentos de validação, nossa tecnologia, colher feedbacks, e dar visibilidade do nosso progresso. Temos uma visão de futuro sólida, mas até lá temos uma jornada com muitos desafios pela frente, e acreditamos que quanto mais abertos formos às críticas e questionamentos, mais rapidamente iremos superá-los, e mais facilmente iremos desenvolver as diferentes parcerias que precisaremos ao longo do caminho.

Neste primeiro artigo vamos contar brevemente como surgiu a ideia da Mutual.Life e quais foram nossos passos desde que decidimos tirar a ideia do papel há alguns meses atrás.

Eu, Fabrício, sou o cara da tecnologia. Tenho mais de 15 anos de experiência, atuando tanto em projetos de software corporativos, com equipes grandes e de vários anos de duração, como também em startups com uma equipe super enxuta desenvolvendo aplicativo mobile. No momento minha atuação principal é como consultor autônomo na área de Ciência de Dados e Machine Learning.

A ideia da Mutual.Life nasceu de uma pesquisa sistemática sobre os principais mercados que poderiam ser impactados pela tecnologia Blockchain. Eu estudo Bitcoin e Blockchain há vários anos, e enquanto via esse ecossistema crescendo, atlcoins e plataformas como Ethereum surgirem, Croudsales, ICOs, e tantas outras coisas acontecendo, buscava me manter atualizado dos desenvolvimentos tecnológicos, mas principalmente, buscava identificar aquelas oportunidades de negócio que o Blockchain poderia realmente fazer diferença, e que ao mesmo tempo fosse algo que pudéssemos iniciar do zero, como uma startup. Nunca gostei desse mindset de "achar um problema que se encaixe nessa tecnologia", por isso evitava focar na solução tecnológica em si, mas sim na criação de valor.

O potencial de aplicação do Blockchain na área de seguros é algo bastante abrangente e, na verdade, bem óbvio. Muito já foi falado e discutido sobre o assunto nos fóruns técnicos de blockchain. Contudo foi lendo artigos acadêmicos sobre aspectos econômicos e sociais da formação de grupos de ajuda mútua em regiões de baixo IDH como um alternativa informal aos seguros, que nos deu os primeiros insights sobre como o Blockchain e a tecnologia mobile poderiam ser usados para resolver boa parte dos problemas apontados pelos pesquisadores.

Em resumo, as pesquisas apontam que grupos informais de ajuda mútua, formados por pessoas próximas e de confiança para diluir riscos entre eles, tinham mais sucesso quando havia uma combinação de pagamento antecipado do risco (um tipo de mensalidade), e quando os recursos arrecadados poderiam ser aplicados de forma bastante flexível em diferentes circunstâncias. Além disso alguns estudos apontam que a ausência de instrumentos que garantam a execução do acordo era um problema. Fora as questões de segurança relativas à custódia dos recursos. Ora, mas tudo isso poderia ser viabilizado através da implementação de smart contracts e de outras tecnologias.

Nessa época eu conversava muito sobre blockchain com o Jó Beduschi, um amigo empreendedor da área de comércio exterior. Jó é mais da área de gestão e negócios, mas tinha entendido o potencial do Blockchain e estava decidido a desenvolver algum negócio na área. Foi quando sentamos para conversar e iniciamos em Junho de 2016 uma série de encontros para esboçar o que seria a nossa primeira proposta para a Mutual.Life. Mas haviam muitas hipóteses na mesa sem o mínimo de validação.

Nosso próximo passo foi ouvir. Buscamos desde conselhos de executivos experientes de mercado, como entrevistamos potenciais clientes para entendermos como eles viam nossa proposta de valor. Também preparamos nosso elevator pitch e fomos dar a cara a tapa e colher feedbacks em alguns eventos para startups.

Por exemplo, apresentamos nosso pitch junto de outras fintechs no congresso C4 em outubro deste ano em SP. Acho que não conseguimos comunicar bem o problema que estávamos propondo resolver, e saímos de lá repensando nossa abordagem. Também participamos do processo de seleção da aceleradora Darwin Starter de Florianópolis. Embora não estivessemos no ponto de sermos acelerados, passar pelo processo iria gerar feedbacks importantes para nós, especialmente porque o investimento tinha a participação da CNSeg e da CTIP. E de fato foi muito proveitoso o processo. Fomos sabatinados por executivos experientes do mercado de seguros, e podemos identificar melhor as pontas soltas do nosso projeto, e voltar para a prancheta para ajustá-lo.

A Mutual.Life não é uma seguradora, pois não assume os riscos, não recebe prêmios nem paga indenizações. Ao invés disso queremos prover uma plataforma que dê a segurança e transparência necessária para a formação de grupos de ajuda mútua desintermediados no Blockchain. Mas entendemos que o projeto Mutual.Life é amplo, e que o Blockchain é uma tecnologia ainda muito imatura sob vários aspectos, dificultando uma aplicação prática imediata, especialmente para o usuário comum. Para citar um exemplo, não podemos manter os recursos dos grupos em Bitcoin ou Ether. O que os grupos precisam é de algo como uma renda fixa, mas ainda é muito cedo para esperar que os principais bancos ofereçam um token de renda fixa no Blockchain. Além disso os usuários não estão acostumados com segurança descentralizada, que exige certos cuidados em relação as suas chaves privadas usadas para assinar as transações. Então por onde começar?

Smart contract e blockchain é algo que certamente fará muita diferença na Mutual.Life num futuro próximo, mas para ser possível começarmos dando passos pequenos decidimos focar nossos primeiros esforços na validação da dinâmica de grupos de ajuda mútua, ainda que inicialmente não esteja rodando no Blockchain. Discutimos, planilhamos, e até programamos uma aplicação de simulação de grupo para fecharmos a matemática que rege a proteção peer-to-peer de forma simétrica e justa. Nosso próximo passo agora é viabilizar da forma mais leve possível uma operação piloto com um grupo fechado para validarmos se a dinâmica de grupo que imaginamos faz realmente sentido para os usuários. A proposta de valor é atrativa? Como será a aprovação de novos membros? Qual vai ser a dinâmica de contribuições? Como será a aprovação de indenizações? Em qual(is) segmento(s) devemos atuar?

Há muito hype hoje em dia quando se fala de InsurTech e Blockchain, e é relativamente fácil atrair a atenção com essas buzzwords. Mas se a proposta de valor de ter uma proteção alternativa ao seguro através de grupos de pessoas de confiança criados em um app não tiver aceitação, não faz sentido avançar. Por isso decidimos que precisamos investir tempo para validar se nossa visão de grupos de ajuda mútua tem mercado, e principalmente, aprender com os próprios usuários qual a melhor forma de fazer isso funcionar. E essa é a nossa próxima missão.

No mais adoraríamos ouvir o que você achou do que ouviu até agora. Sua opinião é muito importante!


Fabricio Vargas Matos

Fabricio Vargas Matos

Co-founder e CTO da Mutual.Life

Fabricio Matos é mestre em ciências da computação (BSc, MSc) e especialista em Blockchain (Bitcoin e Ethereum), 15 anos coordenando projetos de software para o mercado corporativo e apps mobile, atuou como CTO em 3 startups.


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